quarta-feira, 16 de março de 2011

Energia Nuclear: Consequência do Capitalismo Moderno

Todo o mundo está na expectativa desde a última sexta-feira11/03 quado um doas maiores terremotos da história atingiu o Nordeste do Japão, alcançando diversas cidades e provocando um grande tsuname que varreu cidades inteiras, levando a população mundial ao desespero e pesar pelas milhares de vidas encerradas com tais desastres naturais.
Após essas catástrofes o planeta observa com bastante ansiedade a questão das usinas de energia nuclear japonesas atingidas pelo terremoto e pelo tsuname, em especial a usina de Fukoshima onde alguns reatores apresentaram problemas por conta do defeito no sistema de refrigeração, causando explosões dos mesmos e vazamento de material radioativo, o que pode causar sérios riscos a saúde da população japonesa e perdurar por décadas.
Tais fatos acenderam o alerta quanto aos riscos da energia nuclear, muito utilizada em diversos países, principalmente os que mais consumem e onde a energia através de usinas hidroelétricas já não consegue suprir a necessidade de gastos da população. O Japão é uma das maiores potências econômicas e capitalistas do mundo e consume uma quantidade enorme de energia. As usinas nucleares japonesas correspondem a 25% de todo o abastecimento energético do país que agora corre a eminência de passar por uma grande crise energética.
O investimento em energia nuclear ainda não é de total segurança para a população, a prova disso é que esse não é o primeiro acidente causado por vazamentos de usinas nucleares.
Em 28 de março de 1979, falhas técnicas, humanas e operacionais não permitiram o resfriamento normal de um reator na usina de Three Mile Island, na Pensilvânia, e seu núcleo começou a derreter. Foi o mais grave acidente nuclear dos EUA: cerca de 140 mil pessoas foram retiradas da região, e gases radioativos escaparam e atingiram a atmosfera.
Em agosto de 1979, um vazamento de urânio, também nos Estados Unidos, atingiu uma instalação nuclear secreta perto de Erwin, no Tennessee, contaminando cerca de mil pessoas.
Entre janeiro e março de 1981, quatro vazamentos radioativos na usina nuclear de Tsuruga, no Japão, contaminaram cerca de 278 pessoas.
Em 26 de abril de 1986, o reator número 4 da usina soviética de Chernobyl, na Ucrânia, explodiu durante um teste de segurança. Foi a maior catástrofe nuclear civil da História. A estimativa oficial de mortos é de 25 mil, mas poderia chegar a 500 mil. Por dez dias, o combustível nuclear queimou, jogando na atmosfera mais de 200 bombas atômicas, contaminando três quartos da Europa. Moscou tentou encobrir o desastre, classificado de nível 7 (o mais alto). As vítimas foram russos, ucranianos e bielorrussos. Um sarcófago foi construído ao redor do reator.
 Em abril de 1993, uma explosão na usina de reprocessamento de combustível irradiado em Tomsk-7, cidade secreta da Sibéria Ocidental, provocou uma nuvem e projetou materiais radioativos. O número de vítimas é desconhecido.
Em 11 de março de 1997, a usina experimental de reprocessamento de Tokaimura. no nordeste de Tóquio, foi parcialmente paralisada depois de um incêndio e de uma explosão. Trinta e sete pessoas ficaram contaminadas.
Em 30 de setembro de 1999, um novo acidente em Tokaimura levou à morte dois técnicos da usina. Foi o maior desastre nuclear civil do Japão, provocado, involuntariamente, por funcionários que usaram uma quantidade excessiva de urânio, provocando uma reação nuclear descontrolada. Mais de 600 pessoas foram expostas à radiação.
Em 2004, na usina nuclear de Mihama, vapor não radioativo vazou por um encanamento, que acabou se rompendo. O acidente foi provocado por uma grande corrosão. Cinco funcionários morreram devido a queimaduras.
Em 23 de julho de 2008, durante uma operação de manutenção nos reatores da usina nuclear de Tricastin, no sul da França, substâncias radioativas vazaram, contaminando levemente centenas de empregados (fontes: oglobo.globo.com).
Agora autoridades e especialistas em energia nuclear tentam desesperadamente reverter a situação em  Fukoshima, tentando resfriar os reatores e evitando explosões e vazamentos nos mesmos.
É necessário um investimento imediato em energias alternativas como a eólica e a energia solar, além de uma redução no consumo de energia, em especial nas grandes potências econômicas, evitando que mais desastres como esse aconteçam e que gerações inteiras sejam dizimadas por um instinto de consumismo e exploração.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Senado analisa projeto de Educação Integral

Proposta pretende implementar programa que valoriza e capacita professores e incluir 3 milhões de alunos por ano.
 
Pelo menos três milhões de novos alunos por ano poderão ser matriculados em escolas de horário integral, cujos professores, selecionados por meio de concurso público federal, terão bons salários e dedicação exclusiva. Esse é o objetivo do projeto de lei do Senado (PLS 320/08), de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que se encontra entre as propostas que permanecem em tramitação na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), após o reinício dos trabalhos legislativos.

O projeto, que já recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e aguarda a indicação de novo relator na CE, estabelece o Programa Federal de Educação Integral de Qualidade para Todos, que deverá ser implantado em escolas estaduais, municipais e do Distrito Federal. A proposição autoriza ainda o Executivo a criar a Carreira Nacional do Magistério da Educação de Base.

O programa, de acordo com o projeto, será implantado por cidades, sob supervisão do Ministério da Educação e com a colaboração dos governos locais - do Distrito Federal, do estado ou do município onde se localize a escola. E deverá incluir ao menos três milhões de alunos por ano, concentrados nas cidades escolhidas para abrigar o programa. Essas cidades, ainda segundo o projeto, oferecerão horário integral em todas as suas escolas e os meios para a modernização dos equipamentos pedagógicos e das edificações escolares. As escolas das cidades participantes serão administradas de forma descentralizada, sob a coordenação de prefeitos e governadores.

Segundo a proposta, o ingresso na carreira nacional ocorrerá exclusivamente por meio de concurso público nacional, coordenado pelo Ministério da Educação. O plano de cargos e salários da carreira será o mesmo adotado pelo Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro. Com isso, o salário médio do magistério subiria dos atuais R$ 1,3 mil para R$ 4 mil, salário médio do Pedro II, como lembrou o senador ao apresentar o projeto.

Ao ritmo de três milhões de novos alunos por ano, ressalta o senador, a implantação do novo programa custaria R$ 10 bilhões anuais - dos quais R$ 8 bilhões para salários de professores e R$ 2 bilhões em edificações e equipamentos. Em sua opinião, a implantação gradual do programa, por cidades definidas pelo governo federal, permitiria ao país dar um salto de qualidade na educação. "Estaríamos iniciando um processo que transformaria o Brasil no prazo de alguns anos, como se fez em outros países. O Brasil seria outro, mais rico, mais civilizado, sem o muro do atraso, nem o muro da desigualdade", afirma o senador na justificação do projeto. 

Nota de Solidariedade


Camaradas simpatizantes, filiados ou militantes da UJS Olinda!

Nossa grande militante de Luta Zanzul Alexandre Pessoa passrá por umja cirúrgia neste domingo 27/02 para curar-se de um cálculo renal e necessitará de sangue em sua recuperação. quem poder ajudá-la por favor comparecer ao HEMOPE até a próxima sexta-feira dia 25/02 e doe sangue em nome de Zanzul Alexandre Pessoa que estará no hospital Oscar Coutinho-IMIP.
Com a nossa ajuda nossa querida amiga irá se recuperar mais rápido para continuar ao nosso lado lutando por muitas outras vidas de jovens através da militância forte, da fibra e força de vontade que sempre foram suas características.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Manifesto do Movimento Transformar Sonho em Realidade


É natural nos dias de hoje as pessoas se perguntarem o que move os jovens em sua luta política. Qual é a força motriz que faz com que o jovem brasileiro rompa a inércia e assuma as rédeas da história? Fato é que, em alguns momentos, a vida nos apresenta desafios que exigem coragem e ousadia para romper com as velhas estruturas e construir um futuro diferente. Move o jovem brasileiro o sonho de um país livre. O sonho de alcançar a justiça social, o sonho de garantir ao povo os direitos de acesso à educação, saúde, cultura. Para quem não foge à luta, estes são passos que os fazem caminhar rumo à construção de um país diferente, soberano, com desenvolvimento sustentável e distribuição de renda.
O Brasil vive um grande momento de sua história. O êxito do governo Lula promoveu avanços econômicos e sociais importantes, mas, acima de tudo, promoveu uma tomada de consciência pelo povo e um ambiente de ativa participação dos movimentos sociais na definição dos rumos do país. Graças a isso, pudemos obter uma terceira vitória – vitória que poderá aprofundar as mudanças por este novo Brasil. Contudo, permanece a forte pressão dos setores conservadores para impor uma agenda regressiva e privatizante no Brasil. Cabe ao movimento social, em especial à UNE, não deixar a peteca cair e partir para a ofensiva, garantindo nas ruas a implementação da pauta que tenha como centro o desenvolvimento nacional.
Na Educação não é diferente. Vivemos no último período um ambiente de inversão da lógica de desmonte da educação, em especial no Ensino Superior. Isso pode ser comprovado por iniciativas como a construção de 141 novas escolas técnicas e 11 novas IFES, ampliação de vagas nas universidades já existentes e a adoção de políticas afirmativas de reparação racial, que têm contribuído para a diminuição dos muros que cercam as universidades no país. Todavia, persiste ainda no Brasil enormes déficits educacionais quanto ao direito de formação de qualidade, acesso à cultura, à ciência e ao desenvolvimento do pensamento crítico. As denúncias com o descaso da Educação presentes no Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, de 1932, são quase todas cabíveis nos dias de hoje. Essa realidade se expressa nos números que apresentam o desempenho da educação e dos jovens brasileiros. Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio – PNAD de 2008, o país apresenta ainda a marca de 14,2 milhões de analfabetos, pouco menos que 10% da população. Se observarmos o Ensino Superior, segundo levantamento do INEP de 2007, apenas 13,9% dos jovens entre 18 a 24 anos atingem esta etapa. Não obstante, a participação pública no total de matrículas no ensino superior não melhorou no último período. Apesar da ampliação de investimentos na oferta de vagas nas universidades públicas, a sua participação caiu de 30,2%, em 2002, para apenas 25,1% em 2008, um sintoma claro do avanço no contexto de desregulamentação do Ensino Superior Privado. Por fim, ao observarmos o financiamento, percebemos que não rompemos a marca dos 4% do PIB para a Educação. Em síntese, para o Brasil dar um salto em seu desenvolvimento é preciso investir maciçamente em educação.
Nesse contexto o Plano Nacional de Educação, lançado em dezembro de 2010, a partir dos debates da CONAE, buscou elencar as diretrizes e metas para a educação até 2020. O PNE será votado no Congresso Nacional e é tarefa UNE, de forma unitária com outros movimentos educacionais, apresentar emendas e disputar a melhoria do plano. Ao nos debruçarmos sobre a proposta apresentada percebemos que, corretamente, este está voltado para a melhoria da educação básica no Brasil. Contudo, as metas referentes ao Ensino Superior, embora algumas ousadas, apresentam pouca definição sobre as estratégias para implementá-las. Além disso, o fato de carregar a tinta sobre a formação de professores e das licenciaturas não pode significar o abandono de uma visão sistêmica sobre o ensino superior. Ainda persistem problemas históricos, no documento, na política educacional brasileira. No caso do ensino pago, precisamos lutar pela incorporação de mais elementos que sinalizem no sentido da regulação e do controle da qualidade. Já no financiamento, o PNE propõe 7% do PIB para a educação como meta a ser atingida em 10 anos, quando a bandeira histórica de todo o movimento educacional é de progressivamente atingir o investimento de 10% do PIB. Os 50% do Fundo Social do Pré-Sal aplicados na educação, vetados recentemente, seriam importante passo nesse sentido.
Agora, é preciso ter clareza que a batalha no Congresso Nacional é muito adversa. A simples luta institucional não dará conta de garantir a vitória da pauta dos estudantes. O ano de 2011 precisa começar com a marca de luta dos estudantes. Portanto, o movimentoTransformar o Sonho em Realidade faz o chamado à todos os estudantes brasileiros para a construção de uma grande Jornada de Lutas no mês de março, capaz de unir alunos, professores e movimentos sociais em defesa de uma educação à altura das necessidades deste novo Brasil que começa a ser construído. É essa a força que nos move! A força de transformar em realidade o sonho de um Brasil justo e soberano, com uma Educação à altura dos desafios do nosso povo!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O PCdoB que queremos!

Nova Política de Organização – “o partido que queremos daqui a dez anos”

O PCdoB tem uma larga tradição em seu pensamento político. Quando se adota uma nova orientação política, uma flexão tática, é impressionante como a onda de choque das novas formulações se estende por todo o país, em numerosas intervenções do alto até a base, seminários, reuniões, agitação... Todos os órgãos da imprensa partidária formam fileiras em torno da difusão, compreensão e significação da nova orientação. Inicio por aí para dizer que um mérito do trabalho organizativo nas últimas décadas foi compreender que também nessa esfera – aparentemente tão “inamovível”, como se constituída de orientações rígidas e doutrinárias – há dinâmica, há necessidade de adaptações políticas, de ajustes de discursos e práticas. Natural, portanto, que devam envolver todos para sua apreensão, para fundamentar, galvanizar, mudar práticas do coletivo. A organização é feita de orientações políticas, para cumprir a política. Não é assunto apenas de organizadores.
Iniciei por aí para dizer que a Comissão Nacional de Organização deu um primeiro balanço de seu plano de trabalho, traçado em dezembro de 2009. Após um semestre, avanços e deficiências foram avaliados e serão discutidos pela CNO. Nesse período ficou claro que estamos em presença de uma nova política de organização, numa luta pela implantação dos eixos e focos modificados em todo o país. É uma batalha complexa, talvez prolongada, e como tal, ela solicita empenho que envolve todas as esferas de construção partidária.
A começar pela própria compreensão de que se trata de uma mudança importante de conteúdo. Onde a aparência revela apenas semelhanças, há que ver na essência aspectos novos que reconformam o conjunto da política. Se mudam aspectos nucleares da linha de organização, o conjunto da estruturação partidária ganha outros componentes, outros valores, outros desafios. Aqui entra a segunda comparação: tal como a introdução de bacilo determinado muda a qualidade do leite para queijo.
Ao longo dos últimos 12 anos, foi sendo elaborada uma linha política de estruturação partidária. Tal ideia partiu em 1997 das formulações de Renato Rabelo, ocupando a Secretaria Nacional de Organização. Isso obteve grande desenvolvimento, em correlação com a dinâmica política das vitórias alcançadas em 2002, com Lula presidente.
Um grande ganho político foi transformar o tema partido, sua estruturação e organização, em tema vivo, dinâmico, afeito às circunstâncias da ação política e peculiaridades brasileiras. O 12º Congresso completou esse amadurecimento porquanto definiu o novo Programa Socialista, que configurou com maior inteireza o partido que se necessita no Brasil.
Particularmente a linha organizativa, como um dos três pilares da estruturação partidária – ao lado da construção política e ideológica – foi enriquecida nestes anos. O
1º e 2º Encontros Nacionais sobre a Questão de Partido, com o novo Estatuto do 11º Congresso e a Política de Quadros contemporânea do 12º Congresso, deram contribuições decisivas.
Alcançado esse patamar de força organizada – mais de 250 mil filiados, mais de 100 mil participantes ativos da vida orgânica – e o nível de elaboração teórico-política sobre a estruturação partidária, uma visão prospectiva pode ser estabelecida. Um partido de um milhão de membros, unido, combativo, militante, pode ser posto no horizonte, se alcançamos uma terceira vitória do povo em outubro.
É Isso a dar ensejo à nova política de organização. No seio de pontos da linha de estruturação que se mantêm atuais, componentes organizativos modificados se apresentam e compõem uma nova configuração política para a construção partidária. Basicamente, a ideia de dirigir o partido por meio da política de quadros e conferir maior permanência a um núcleo extenso de militantes com vida associativa e ação política desde a base.
Quadros definem a essência da vida do Partido Comunista. Vida militante organizada forma os quadros. Esses dois pilares darão a tônica de todo o trabalho de organização nos próximos anos. São elementos novos; como tal, solicitam novos planos, abordagens, métodos e estilos de trabalho para as secretarias de organização. E grande empenho de todos na difusão, fundamentação, agitação, implementação persistente desse rumo.
Podemos recapitular os elementos de conjunto da linha de estruturação partidária:
1. A política no comando para avançar na construção do PCdoB, a ideologia como cimento, a organização como força material. Almejar um partido combativo, unido e disciplinado, bem formado teoricamente, politicamente sagaz, que lidere os trabalhadores e o povo e lute pela hegemonia de suas ideias e seu projeto.
2. Seguir fazendo crescer o PCdoB, à escala de um milhão de membros, a partir de uma terceira vitória do povo em outubro. Abri-lo decididamente para os trabalhadores e todo o povo. Estender a força eleitoral e institucional partidária, ampliar a presença de suas organizações a todos os cantos e segmentos, a todos os municípios com mais de 50 mil habitantes.
3. Aprofundar a ligação com os movimentos sociais e avançar na reciprocidade entre essa atuação e a construção partidária, politizando-os e unindo o povo brasileiro em torno de um novo projeto nacional de desenvolvimento.
4. Estender a influência das ideias do programa socialista, com forte trabalho de comunicação, propaganda, falar a toda a sociedade e chegar a todos os segmentos de pensamento críticos da sociedade.
5. Perseguir estrategicamente a construção do partido entre os trabalhadores, a juventude e a intelectualidade avançada.
6. Governar o partido por meio da política de quadros renovada no 12º Congresso. Instituir poderoso trabalho sistemático com os quadros, a partir de cada comitê estadual. Cada quadro ocupar um posto bem definido no rumo do projeto partidário. Solicitar dos quadros o máximo empenho e compromisso com a atuação partidária em qualquer uma de suas dimensões. Seguir num esforço persistente de valorização dos quadros comunistas trabalhadores, jovens e mulheres. Fortalecer o trabalho dos comitês partidários em todas as esferas.
7. Enriquecer a vida militante, em organizações partidárias as mais variadas e melhor definidas, para aprofundar liames militantes entre os membros do partido, entre eles e o povo, entre eles e as direções partidárias. Apoiar cada vez mais esse esforço a partir dos comitês partidários, com quadros intermediários em grande escala, formados e apoiados para operar a vida partidária na base. Conferir estabilidade a uma formação militante extensa, tendo as relações de trabalho como modo prioritário de relações orgânicas partidárias.
8. Após as eleições, promover um esforço de revisão e aprimoramento das formas organizativas partidárias nos grandes municípios, tendo em vista as batalhas políticas e sociais, a constituição de condições partidárias avançadas para as eleições de 2012 e as conferências partidárias de 2011.
9. Inovar as formas, meios e conteúdos do trabalho de formação política, teórica e ideológica dos quadros e militantes, para alcançar ampla escala em todo o país.
10. Alargar a base de aplicação dos compromissos militantes com respeito ao financiamento da atividade partidária por meio da Carteira Nacional de Militante e do Sistema Nacional de Contribuição dos Quadros.
Não é demais insistir: enriquecer a vida militante e implementar a política de quadros não é um discurso organizativo; ao contrário, envolve o conjunto da direção, notadamente a direção política realizada por meio de diretivas de mobilizações de base. Para pôr em movimento essa política de estruturação cabe em especial à Comissão Política Nacional e ao Comitê Central liderar o esforço em todo o país, com apoio do conjunto das direções partidárias.
Volto ao ponto de partida. O balanço de trabalho da organização, no último semestre, destina-se a por holofotes sobre o quanto se avança nessa compreensão, que esforços precisam ser feitos, nacionalmente e em cada Estado.
Chama a atenção o fato de a Comissão Política Nacional ter adotado resolução sobre o tema. É importante incremento de cultura política. Ademais, um Sistema de Gestão
Integrada de trabalho da direção nacional será constituído como ferramenta para que esse órgão de fato tenha informação e protagonismo adequado a esses fins.
Na Secretaria de Organização foi constituído o Departamento Nacional de Quadros João Amazonas. A partir dele, está criada a Rede Quadros a fim de cadastrar sistematicamente os quadros de todos os níveis. Ambos deverão ter correspondência em todos os Estados.
Inaugura-se igualmente o Portal da Organização. Ele se destina a organizar a opinião e impulsionar a prática de governar o partido por meio da política de quadros e estimular a vida militante em organizações partidárias dos mais diversos tipos, dinamicamente definidas e mais estáveis. Será como que um instrumento das organizações partidárias para debater sua construção, como o outrora intitulado Jornal da Célula dos tempos presentes. Conta, por isso, com o senso crítico da militância, para dar vida e firmeza ao PCdoB.
A CNO foi enriquecida com a presença de experientes secretários de organização e acrescida de membros para uma atuação regionalizada, que se destina a dar controle especificamente organizativo da construção partidária em todos os Estados do país, que foram percorridos em maior parte neste semestre.
Isso é o que representa a Nova Política de Organização. Ela se estenderá e produzirá efeitos ao longo dos próximos anos. Conta com a consciência e motivação de todos, particularmente dos quadros dirigentes, em primeiro lugar de seus líderes políticos. Deve-se lembrar que atrasos políticos no modo de encarar e assimilar a linha de estruturação têm enorme repercussão no desenvolvimento partidário, tão grande quanto erros no modo de situar politicamente o partido em cada cenário. Se a organização serve à política, uma débil organização expressa e supõe uma débil política. Ao contrário, uma política justa, acompanhada de uma linha de estruturação conseqüente, permite dizer que o PCdoB que podemos ter daqui a dez anos será aquele que conquistamos com vitórias políticas e com a educação que ministramos às novas gerações militantes desde já.
Walter Sorrentino
29/6/2010

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Debates e Embates Sobre o Salário Mínimo


Desde o final de 2010 que vemos uma grande guerra econômica mundial regida pela crise cambial, afetando diversos países do mundo. Tanto emergentes quanto os considerados desenvolvidos estão tomando medidas para evitar o descontrole das taxas cambiais, o aumento significativo da inflação e um colapso na economia.
No Brasil tais elementos afetaram também a oferta do salário mínimo, gerando diversas idéias contra e a favor de um grande aumento de seu valor.
No fim do ano passado, o congresso aprovou o aumento de 5,9% do salário mínimo que passaria de R$ 510,00 para R$ 540,00 um aumento de 0,9% entre 2010 e 2011. Logo quando essa quantia foi aprovada os movimentos sociais lutam por um maior aumento do salário visto que o mesmo não acompanhou como deveria o aumento da inflação e dos juros.
Com o governo Dilma, muitas discussões sobre o assunto vêm sendo realizadas mais sem que se chegue à um denominador comum entre governo e centrais sindicais. O governo apóia uma proposta de aumento do salário de R$ 540,00 para R$ 545,00 já para o mês de março seguindo um plano de valorização do salário mínimo até 2014. Tal proposta foi anunciada no dia 14 de janeiro pelo ministro da fazenda Guido Mantega:
“O salário mínimo vai ficar em R$ 545. Vamos fazer modificação na correção que foi feita. Projetamos uma inflação para poder fazer o decreto [que reajustou o salário mínimo para R$ 540], mas a inflação foi maior. Vamos fazer uma correção, substituindo dezembro estimado por dezembro realizado. Iria para R$ 543, mas, arredondando, vai para R$ 545", declarou o ministro. Já as centrais sindicais defendem uma proposta muito maior, elevando o salário mínimo para R$ 580,00. Em entrevista ao portal vermelho nesta quarta-feira (09) o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) embasou a proposta sindical:
“A política econômica baseada no superávit primário, câmbio flutuante e juros altos que colide com as demandas dos sindicatos. Os juros consomem mais de um terço do orçamento público e como a verba é limitada o governo corta outras despesas para encher o bolso dos rentistas. O salário mínimo entra nesta conta, mas os problemas não ficam aí. A política econômica conservadora joga contra o desenvolvimento nacional e pode levar o país à estagnação”. Afirmou Wagner.
Como forma de pressionar o congresso as centrais sindicais estão mobilizando uma grande concentração no auditório da câmara federal no próximo dia 15/02, afim de conseguir o apoio do congresso para a aprovação do mínimo de 580,00.
Muitas discussões e atividades devem acontecer até o decreto do governo, até lá, esperamos que o Brasil e os trabalhadores sejam os grandes beneficiados com a nova política econômica nacional.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Egito: 300 mil nas ruas pedem a saída imediata do ditador Mubarak


Depois de a violência dos seguidores do presidente ter atingido a cidade na última quarta-feira, centenas de milhares de egípcios retomaram o espírito eufórico das primeiras concentrações e expressaram repúdio a leis ou negociações que não prevejam a saída de Mubarak do poder.

EUA de saia justa

A mobilização popular contraria a tática errática dos Estados Unidos para o Egito. Barack Obama chegou a falar em “transição rápida” no país, em direção à “democracia”, mas nunca retirou apoio ao ditador e fiel aliado Hosni Mubarak. 

À medida em que as manifestações foram arrefecendo, o chefe em plantão do império mudou o discurso e agora diz que a permanência do ditador é necessária para garantir uma transição pacífica no país. Trata-se, na verdade, de manobra política para preservar o domínio não só sobre o Egito, cuja ditadura faz o jogo de EUA e Israel, como de todo o mundo árabe, e em especial o Oriente Médio.

Mas tal política colide com o clamor do povo pelo fim imediato da ditadura. A manifestação desta terça-feira foram em resposta aos artifícios usados pelo ditador para preservar o poder, o que inclui a concessão de um aumento de 15% para o funcionalismo. A rebelião popular no Egito tem ímpeto revolucionário e um caráter ao mesmo tempo democrático e antiimperialista.

Retomando a praça

Tareq Hamza, um estudante de Engenharia, observou que a relativa calma que pairava no Egito desde o fim de semana, com ausência de incidentes violentos e a retomada da rotina, levou uma multidão a retornar à praça Tahrir, epicentro dos protestos.

“Fora de Tahrir, a vida voltou à normalidade. Por isso, muita gente aproveita para vir depois que sai do trabalho. Antes, nossas famílias não queriam que viéssemos. Agora elas não se preocupam mais ou até mesmo vêm participar (dos protestos)", disse Hamza à Agência Efe.

Calendário

Os manifestantes estabeleceram um calendário detalhado, com grandes convocações para terça-feiras e sextas-feiras, enquanto, nos demais dias da semana, a presença de milhares de pessoas em lojas tenta fazer com que a revolta não se apague.

A julgar pela resposta desta terça-feira, o medo da violência foi superado e o início do diálogo entre o vice-presidente Omar Suleiman - a quem Mubarak delegou a gestão da crise - e os manifestantes de oposição não foi suficiente para dispersar os protestos na Tahrir.

Nobel de química

Quem se juntou aos manifestantes nesta terça-feira foi Ahmed Zewail, Prêmio Nobel de Química em 1999 e um dos nomes mais cotados para liderar a transição, e Wael Goneim, executivo da Google, libertado nesta segunda-feira pelas autoridades - ele se transformou em herói popular por seu papel na revolta pela internet.

A mobilização em massa - cifrada em 300 mil pessoas pela organização Irmandade Muçulmana - congestionou por momentos o principal acesso à praça, a ponte de Qasr El Nil.

Para chegar à praça, há até mesmo carruagens puxadas por cavalos, que dão à concentração um ar ainda mais festivo que em ocasiões anteriores.

Mártires 

Por toda a praça foram colocados grandes cartazes com fotos dos mortos - considerados "mártires" pelos manifestantes - em confrontos com a Polícia ou com os partidários do Governo.

E, enquanto isso, os ''hospitais'' de campanha instalados continuam incessantemente atendendo feridos em incidentes esporádicos, sobretudo com cortes na cabeça provocados pelas pedras lançadas por partidários de Mubarak.

Estes se concentraram às centenas nesta terça-feira na praça de Abdel Menem Riad, situada em frente às barricadas da Tahrir, mas não causaram distúrbios.

O ambiente, agora pacífico, se traduz no retorno das crianças à mobilização na praça, onde a cada dia são instaladas novas barracas. Podem ser vistas imagens simbólicas de dezenas de manifestantes ''acampados'' à sombra dos tanques do Exército, pichados de dizeres em favor da revolta.

Bandeira do Egito

E embora haja inúmeros cartazes e fotografias, o emblema desfraldado pelos manifestantes é a bandeira do Egito, nesta terça-feira mais numerosa do que nunca.

"Depois das palavras do presidente Hosni Mubarak (em 1º de fevereiro), a maioria das pessoas estavam em suas casas, esperando mudanças. Mas hoje há milhões nas manifestações, porque o povo quer ver algo novo, quer uma mudança rápida e recuperar seus direitos", disse à Agência Efe o bancário Shady Wahby.

O regime Mubarak anunciou nesta terça-feira a criação de uma comissão para preparar as reformas constitucionais, mas os manifestantes da Tahrir avisam que retornarão na próxima sexta-feira (11) com mais força, para reivindicar a renúncia do presidente e honrar a memória das vítimas mortais, que, segundo a ONG Human Rights Watch, já chegam a 297.